Segundo teoria de Zygmunt Bauman, sociólogo, não é possível unir Liberdade à Segurança, ou o oposto. Quanto mais liberdade menos se tem segurança, e quanto mais segurança menos liberdade.
Entretanto, refletindo o assunto e tomando conhecimento de alguns relatos, passei a questioná-lo.
Utilizarei dois depoimentos neste texto.
O primeiro é o relato de um estudante que havia voltado a pouco para o Brasil, na conversa relatava empolgado sua experiência e exaltava as características do Canadá:
[...]As pessoas são mais educadas, o estudo é valorizado, não há pudor em trabalhar quando se precisa de dinheiro, as praças são seguras, existem câmeras![...]
À primeira instância pensei: de fato há segurança, porém uma falsa sensação de liberdade. Com a população sendo vigiada constantemente, nenhuma ação é despercebida. Uma “cobrança” camuflada faz-se presente devido às câmeras. A teoria está certa.
Este foi um exemplo em que a segurança está a primeiro plano; Vejamos agora o segundo relato, uma pessoa que foi até a cidade de Londrina – MG visitar os parentes:
[...]Não há patrulhamento na cidade, a segurança lá é algo muito precário, a primeira coisa que notei ao chegar em Londrina foram as casas, todas elas, com muros altíssimos e cercas eletrificadas. Senti uma insegurança muito grande da população.[...]
Neste segundo caso, não há segurança e tão pouco foi possível identificar a liberdade. Como considerar livre uma pessoa que vive seus dias de forma amedrontada? Como ser livre atrás de muros altos e cercas eletrificadas, sendo que estes por definição já representam limites? Se não posso ao menos ir até a esquina de minha rua sem preocupação, se o medo me deixa em uma situação extremamente desconfortável e preciso tomar uma série de medidas para manter a segurança daqueles que amo, com certeza não posso me considerar livre.
Segundo Aristóteles é considerado livre aquele que tem em si mesmo o princípio para agir ou não. A liberdade também é concebida pela ausência de constrangimentos internos e externos.
